Esta estrela veio da Terra.

Esta estrela veio da Terra.

Autor: Guān Wūyā

O pequeno roteirista de produções audiovisuais Han Jue, ainda batalhando e lutando por seu lugar ao sol, despertou certa manhã para descobrir que não apenas ele próprio havia mudado, mas também todo o mundo ao seu redor. Nesta versão da China, a indústria do entretenimento floresce com tal esplendor que ultrapassa até mesmo a Hollywood do outro lado do oceano. O Prêmio Touro de Ouro da China tornou-se a honraria cinematográfica de maior prestígio e valor em todo o planeta. O programa “Cantor”, palco supremo para os talentos vocais, já chegou à sua décima temporada; “A Voz da China” realiza-se a cada três anos, e a cada edição, o país inteiro se entrega a uma celebração frenética; o oitavo ano de “China tem Hip-Hop” registrou mais de cem mil inscrições; “O Rei dos Cantores Mascarados” vai ao ar semanalmente, e jamais faltam vozes ocultas à espera de serem descobertas. Nas ruas, é comum deparar-se com equipes de gravação filmando programas, influenciadores transmitindo ao vivo com seus celulares, celebridades da internet pregando peças em transeuntes desavisados... Este é, sem dúvida, o melhor dos tempos para aqueles que se dedicam à cultura e ao entretenimento. Na vida presente, Han Jue, outrora um ídolo esquecido, encontra-se à margem deste esplendoroso festim do show business e, sinceramente, já não deseja de modo algum retornar ao estrelato. Tudo o que almeja é deleitar-se tranquilamente, à deriva no vasto oceano do alimento espiritual, e ser um recluso satisfeito em sua própria companhia. Grupo: 579483758

Esta estrela veio da Terra.

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Capítulo Um: Olá, Mundo

Julho chegou, e com o calor, as pessoas tornaram-se preguiçosas.

“Clang!”
A porta de rolo foi erguida com um barulho áspero e estridente, suficiente para fazer franzir o cenho de quem passava.
Apesar de serem apenas nove horas, o sol já não era mais gentil.
O dono do supermercado, sob o peso do sol, varria displicentemente a entrada com uma vassoura.
Trazendo nos lábios o refrão de um programa de talentos musicais que assistira na véspera, sentou-se ao balcão, pronto para rever o episódio da noite anterior e, ao mesmo tempo, iniciar os negócios do dia.

As férias escolares já haviam começado. As ruas, animadas por crianças indiferentes ao calor, transbordavam de movimentação.
A porta de vidro foi empurrada, e uma lufada de calor, acompanhada pelo burburinho da rua, invadiu de súbito o frescor do supermercado.
O dono, de fones nos ouvidos, ergueu os olhos apenas por um instante.

Entrara um jovem vestindo uma camiseta branca de algodão e calças de linho cinza-fumaça.
Apesar das pernas longas e esguias, seus passos pareciam estranhamente desleixados. A cabeça girava veloz de um lado ao outro, o olhar saltava, rápido e fugaz, como um rato de esgoto vigilante. Um rato bonito, é verdade.
Mesmo dotado de um rosto de modelo à altura do corpo, algo em sua atitude traía uma excentricidade mental que o dono do estabelecimento não quis analisar por mais tempo.

O jovem tampouco pretendia conversar; dirigiu-se diretamente aos fundos da loja.
O dono voltou a atenção para a tela do computador. Por um tempo, só a música

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