O destino desdobrou-se diante dos meus olhos em duas linhas retas, paralelas e alheias uma à outra. Uma leva às cidades e palácios consumidos por chamas ardentes, ao colapso do reino, à terra carregada de sofrimentos, onde seres vivos suportam martírio nesse fogo, privados para sempre da luz do dia. A outra conduz ao cume dos antigos reis, onde as divindades, lá no alto das nuvens, vêm coroar-me pessoalmente; ergo a coroa de louros e abraço a aclamação das montanhas. Meu olhar atravessa os véus da história; meus cavaleiros desbravam terras em meu nome, minha espada abre o caminho entre espinhos, guiando meu povo à vitória. Tomo o cetro em minhas mãos, empunhando o poder que rege o mundo, e, do alto, contemplo as multidões, alterando o curso da história. Eu sou Brando, rei de Vornde, e esta é a minha lenda. ............. Linha de separação ............. Versão em linguagem acessível: Esta é a história de alguém que, portando as memórias de uma vida passada como guerreiro veterano, renasce no mundo onde outrora combateu, e, mudando o fio da história, ergue-se triunfante entre tempestades e batalhas.
O sargento do pelotão de treinamento da milícia não me enganara: a experiência necessária pode salvar tua vida num momento crucial.
Se não fosse pelo mês inteiro de treinamento intensivo, temo que teria sido impossível escapar daquela espada mortal enquanto dormia — o ataque súbito provocou um alerta fulminante, arrancando-me do sono profundo; ao abrir os olhos, deparei-me com o brilho cortante de uma longa lâmina, e um frio que penetrava até os ossos ascendeu das profundezas do meu peito.
Foi, de fato, de arrepiar.
Mas, falando sinceramente, não sei como reagi naquele instante. Talvez fosse um reflexo instintivo forjado pelo longo treinamento: no último segundo, virei a cabeça de lado, permitindo que a espada rasasse minha orelha ao desferir o golpe.
Por um triz...
Só então notei, gravado na lâmina de aço reluzente, o emblema da rosa negra de Bromantor, incrustado numa placa quadrada de ferro. Demorei um instante para distinguir o objeto: “O exército dos mortos de Madara!” Uma onda de gelo escorreu-me pela espinha, trazendo-me à plena lucidez. Malditos, como poderiam essas criaturas estar aqui?
Lembro-me claramente de que estava de férias numa velha propriedade rural em Butchi, herança de meu avô. Obtive permissão dos mais velhos da família para ali residir e ajudá-los a cuidar da casa.
Minha mãe era de Cadirego, talvez a única linhagem realmente nobre em meu sangue. Meu pai, contudo, era apenas um humilde moleiro — nem sequer participara da célebre Guerra de Novembro, como meu avô, nem recebera a Medalha da Chama — apenas um ho