Tendo ganhado uma segunda vida, ela só queria vingar as antigas mágoas e acertar as velhas contas. A mãe legítima era cruel? Então, pouco a pouco, ela arrancaria suas garras e dentes, até que ela não pudesse mais agir com arrogância. A irmã era cruel e ardilosa? Então pisaria sob os pés o talento do qual ela tanto se orgulhava. A princípio, ela pensou que, depois de vingar a rancor da vida passada, nesta encarnação poderia viver livre e sem preocupações. Mas não imaginava que os perigos viriam em seguida, um atrás do outro. O ódio de toda uma raça, a continuidade do sangue, tudo recaía sobre os ombros dela sozinha. Felizmente, nessa estrada coberta de espinhos, sempre havia alguém que a protegia em sua caminhada. “Terceiro Príncipe, você se arrepende de ter me acompanhado por este caminho de matar deuses?” O homem sorriu de leve, o olhar cheio de ternura e apego. “Com você ao meu lado, nesta vida não me arrependo de nada.”
Dor...
Dor que dilacera a alma, mas ainda assim, não supera o sofrimento ardente de não poder executar pessoalmente a vingança contra o inimigo.
Gu Lingzhi acordou lentamente, suando em bicas, com os olhos vazios fixos no teto, sem compreender de imediato onde estava.
Não estava ela, até há pouco, no quarto dos criados da família Lin, terminando sua vida em desespero e tristeza? Como poderia estar aqui agora?
Toc toc.
O som de alguém batendo à porta interrompeu suas lembranças.
Logo em seguida, uma voz familiar e estranha ecoou do lado de fora.
— Senhorita, trouxe seu remédio.
Ao ouvir isso, Gu Lingzhi virou abruptamente a cabeça, uma expressão de incredulidade estampada no rosto.
Peach? Mesmo morta, jamais esqueceria essa voz.
Aquela criada que considerava como irmã, mas que, seduzida pelo interesse, lhe serviu uma tigela de sopa envenenada, destruindo sua vida. Como poderia esquecer?
Mas não estava ela na casa dos Gu? Como poderia estar ali?
Ao pensar nisso, Gu Lingzhi olhou instintivamente ao redor, e para sua surpresa, reconheceu o ambiente como sendo... seu quarto de moça, quando ainda vivia na casa dos Gu.
Sentou-se, examinando tudo ao redor com espanto, e notou que o braço exposto fora do cobertor era de uma brancura incomum. As cicatrizes das surras e torturas, que sua memória conservava, haviam desaparecido.
— O que está acontecendo? — murmurou, levantando a roupa para examinar o próprio corpo. Também era impecavelmente branco, como se todas as lembranças dolorosas fossem apenas um sonho.