Acima da Cúpula

Acima da Cúpula

Autor: Arsenal Humano

Em uma era épica há muito apagada, existiam forças militares de um nível tão elevado que seriam inimagináveis para as gerações futuras, nomes de heróis e corpos anônimos; havia lamentos e canções longas, pessoas dispostas ao sacrifício e uma luz que brilhava mesmo na mais profunda desesperança... A história nos pede que esqueçamos, mas o esquecimento não significa que nunca aconteceu. Acima da abóbada celeste... aquelas estrelas, sempre estarão lá. (P.S.: Apesar do título “Acima da Abóbada”, este não é um romance sobre batalhas estelares e mechas; trata-se de uma história sobre crescimento e escolhas. O mundo do enredo chama-se “Azul Celeste”, uma civilização muito semelhante à nossa, e ainda assim, singular em muitos aspectos.)

Acima da Cúpula

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Naquele ano em Vale do Dragão Selado

O nome de Han Qingyu foi dado pelo velho monge vindo de fora que, anos atrás, cuidava do templo abandonado na vila. Mais tarde, quando ele já entendia das coisas e perguntou sobre o motivo, disseram-lhe que, na época de seu nascimento, os arrozais estavam mudando de tom, as águas das montanhas haviam transbordado por vários dias e as plantas de arroz alternavam entre o amarelo e o verde. Por isso, o nome foi escolhido para afastar calamidades. O velho monge, aproveitando a ocasião, recolheu, de cada aldeia ao longo do rio, cinco medidas de arroz.

Isso tudo aconteceu há dezenove anos. Aquele velho solitário, que vivia de ler destinos, escolher datas e túmulos e tinha o dom de remendar qualquer palavra errada com sua língua afiada, já havia partido para outro lugar há alguns anos.

Na verdade, seguindo antigas regras rurais de certas regiões, o nome Han Qingyu não era dos melhores – soava grandioso demais para uso cotidiano. Mas em Fenglong'ao, ninguém sabia disso. Assim como ninguém ali sabia que o próprio nome do vilarejo era, também, imponente, imenso.

Fenglong'ao, uma vila de montanha que, geração após geração, jamais conheceu a fartura, mas cujas colheitas eram sempre suficientes para afastar a fome e o frio. Como mais um filho de camponeses dessa terra isolada, a vida de Han Qingyu, nesses dezenove anos, teve apenas dois grandes acontecimentos:

Um deles foi ter fracassado no exame nacional de acesso à universidade naquele ano.

O outro, aconteceu no ano anterior.

“Duas vezes já...”

O velho pereiro no quintal da casa e

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